Episode Transcript
No programa de hoje eu vou responder a dúvida do Arthur mañas, de Belo Horizonte.
Ele escreveu dizendo o seguinte, ontem eu estava comendo pipoca e vendo filme.
Daí eu fiquei me perguntando, como foi que esse snack se tornou tão popular e relacionado ao entretenimento?
Tipo, em que momento isso aconteceu?
Está no ar o aprenda, com Álvaro Leme.
Olá, aprendizes do meu Brasil.
Cheguei com mais coisas que vocês nem sabiam que precisavam saber.
Hoje com um tema que dá água na boca, né pipoca?
Quero agradecer o Arthur mañez pela sugestão desde já e dizer que quem quiser mandar sugestão pode me escrever no e-mail contato@alvaroleme.com.br.
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Assim, você sinaliza pro algoritmo que o meu conteúdo tá bacana, que ele tá direitinho e ele acaba sendo sugerido pra mais gente.
Mas vamos pra guloseima?
Então, sabe aquele carrinho de pipoca que ficava na porta da sua escola?
Ou que tem aí na frente da sua igreja, da faculdade, na praça?
Todos eles existem por causa de um cara lá dos Estados Unidos chamado Charles cretors.
No fim do século 19, esse cara aí lançou a primeira carrocinha de vender pipoca.
Aliás, ele fez várias modalidades aí tinha um que era quase um food truck, vendia amendoim, vendia um Monte de outras comidas.
Pois bem, os carrinhos dessa empresa, a cretores, viraram maior sucesso em feiras, parques e demais aglomerações de pessoas.
Primeiro porque pipoca é um bilisquete muito gostoso.
Essa palavra bilisquete é muito de tiozão, né?
Mas ela era isso aí, um bilisquete.
E combinava preço baixo, né?
Os grãos não custavam muito com a praticidade de poder ser preparada com pouca estrutura.
Você não precisa de uma cozinha, não precisa de uma equipe, certo?
Também ajudava muito o fato de o pipoqueiro fazer como todo artista, que, segundo o Milton Nascimento, tem de ir aonde o povo está, né?
Adoro essa música, bom, onde que tinha muita gente para comer pipoca no começo do século 20, além desses lugares aí que eu falei.
No cinema, e você deve ter pensado, pô, os cinemas, cara, vendiam pipoca assim desesperadamente, certo?
Errado.
É que até meados do século 20 a experiência de ir ao cinema não era como hoje, que tem essa pegada mais descontraída.
Galera vai de chinelo era um programa chique, especialmente nas primeiras décadas do século.
Por quê?
Porque o modelo pra construção das salas de cinema tinha sido o teatro e também as salas de ópera, que eram e em muitos casos ainda são lugares.
Super elegante, lugares para você ir com botar seu melhor vestido, sua melhor roupa e isso, claro, destoava da ideia de você melar a mão com pipoca.
Outro grande empecilho era o fato de que, até 1927, os filmes eram mudos.
Então você imagina se alguém fosse amassar um sacão de pipoca numa sala, a barulheira que IA fazer e IA roubar a cena, né?
E IA dar briga.
Desse modo, era proibido comer dentro das salas.
Não só pipoca, qualquer coisa, tá?
Porém.
O que que aconteceu depois?
A crise de 1929 que você deve lembrar de ter aprendido nas aulas de história.
Lembra que teve a quebra da bolsa de valores, começou maior, complicação financeira, recessão e esse período fica conhecido lá nos Estados Unidos como a grande depressão.
Ou seja, a gente tem um cenário de crise econômica.
Pensa comigo, quando você fica sem grana, qual é a primeira coisa que você corta de gasto?
Provavelmente diversão, né?
Pode ser deixar de ir pra balada, pode ser cancelar aquele streaming que nunca tem o filme que você quer ver.
E a lógica na época, era a mesma, o que fez com que o público parasse de ir às salas.
E elas foram fechando.
Daí um empresário chamado RJ maquena, vamos dizer RJ vai RJ maquena, que era responsável por vários cinemas.
Viu que, apesar da crise, os pipoqueiros estavam de boa, as vendas estavam rolando.
Daí a lógica dele foi, pô, mas e se em vez de esse cara vender pipoca aqui perto do meu cinema, eu mesmo vender pipoca aqui dentro da sala?
E foi o que ele fez para estimular o público a voltar às salas.
Ele deu uma reduzida no preço dos ingressos, e aí a galera chegava lá, tinha aquela pipoquinha que já seduziu os sentidos, né?
O ser humano é o ser humano, e a pipoca e a pipoca dele sempre.
Então ele perdeu grana por causa dos ingressos, mas ele ganhou uma montoeira de dinheiro com a pipoca, então a pipoca salvou os cinemas naquela época.
Diante desse sucesso, nunca mais ela saiu de cena.
Porque, bom, como eu disse antes, o preço do milho era baixo e a margem de lucro era alta, já que dava para atacar o preço lá nas alturas.
Dentro do cinema, não tinha concorrente e, pelo menos naquela época, não tinha ainda.
As pessoas não cogitavam.
Hum, vou levar uma comidinha na bolsa para a hora do filme.
Assim nasceu o casamento duradouro entre cinema e pipoca.
Até hoje, a principal fonte de faturamento de muitas redes é justamente essa.
Daí as guloseimas.
Segundo a revista time, as margens de lucro de algumas salas é de 85%, com refrigerante, doce, cachorro-quente e, claro, pipoca.
Ao longo desses últimos 100 anos, o marketing publicidade fizeram o trabalho deles e moldaram as plateias mundo afora, consolidando a ideia de que ir ao cinema é mais do que ver um filme.
É uma experiência.
E essa experiência fica mais completa se você tiver comendo e bebendo uma coisinha gostosa.
Como a gente nasceu e cresceu num mundo em que esse já era o comportamento padrão, acabou levando a pipoca pra casa.
Por consequência, quando os filmes começaram a ser vistos na televisão, no VHS.
E hoje em dia no streaming.
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