Por que literatura sobre ditadura NÃO precisa ser confessional?

January 2
18 mins

Episode Description

O autor não fala diretamente. O autor traz intercessores.


Bolaño não testemunha a ditadura em primeira pessoa. Ele cria Maurício Silva (o Olho) — um gay, exilado, minoritário dentro da própria esquerda — e fala ATRAVÉS dele.


Silviano Santiago não confessa a tortura. Ele inventa Graciliano Ramos prisioneiro do Estado Novo e fala ATRAVÉS dele.


Coutinho não interpreta os personagens. Ele coloca a câmera e deixa que fabulem.


Isso é literatura testemunhal? Sim. Mas testemunho não é relato em primeira pessoa. É uma TERCEIRA PESSOA que julga entre as partes.


Neste episódio:

→ Bolaño e Maurício Silva (Estrela Distante)

→ Silviano Santiago contra os benjaminianos

→ Por que Coutinho é o máximo da literatura não-confessional

→ Literatura sobre ditadura além de Gabeira


Cursos em comunidade.aengenhoca.com


---


Um podcast sobre literatura, cinema e pensamento crítico.

Instagram: @o_abertinho

Substack: https://oabertinho.substack.com/

See all episodes