Episode Description
Elvira Espejo Ayca tem uma sensibilidade profunda, indígena Aymara do estado plurinacional da Bolívia. Tecedora, poetisa, filósofa, fotógrafa, artista visual, diretora do MUSEF - Museu Nacional da Etnografia e do Folclore. Busca nas cosmologias indígenas a visão da criação mútua, da nutrição mútua entre os seres vivos, contrapondo dessa forma o ideário eurocêntrico, egocêntrico,, da ideia de as artes e a técnica é vertical, que o dito homem antropocêntrico domestica os demais seres da natureza, os molda para o seu conforto. Ao contrário, as comunidades indígenas vivem sob uma filosofia comunitária de criação mútua. O que os Aymaras chamam de Uyuaña, os Quéchuas de Uyuaí, e os Guaranis de Nhandereko. A colaboração e dependência mútua entre os seres. O que Elvira observa é que essas visões antagônicas incidem sobre a ideia de arte, os povos indígenas promovem a arte como uma vivência coletiva, através da dança, do canto, das plumárias, das vestimentas, da culinária, da agricultura, tudo sobre a mesma filosofia de criação mútua. Elvira Espejo nos presenteia com essa análise e autorreflexão incrível que serve de base para hoje entendermos e apreciarmos a arte indígena em sua totalidade. Este projeto é uma realização das produtoras Sem Início Sem Fim e Outro Acontecimento em conjunto com o Governo Federal com financiamento do Pró Cultura RS através do Plano Nacional Aldir Blanc.