IA, fé e anticristo; Detector brasileiro de deepfake; Parando de trabalhar de graça para big tech

May 26
45 mins

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Episode Description

O mundo da tecnologia tem forçado um casamento entre religião e inteligência artificial. E as manifestações dessa estranha e improvável união são observadas dos Estados Unidos à China, passando por Alemanha e Coreia do Sul. E, neste novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes contam que até nesse assunto há uma diferença geopolítica, pois, enquanto empresas dos EUA querem convencer religiosos de que chatbots de IA possuem profundidade e consciência para serem reconhecidos como filhos de Deus, na China, pesquisadores já transformam robôs inteligentes em servos a serviço de rituais sagrados. Por um lado, a Anthropic reúne padres e estudiosos em religião para entender como o Claude deve lidar com a noção da finitude de sua existência. Por outro, Peter Thiel, da Palanthir, vai a Roma pregar sobre o Anticristo da IA, o que irritou boa parte da cúpula da Igreja Católica. 

Grandes empresas de tecnologia são capazes de criar serviços de inteligência artificial responsáveis por fotos e vídeos realistas a ponto de nos enganar, mas não desenvolvem um jeito de detectar imagens sintéticas. Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz explicam como uma empresa brasileira fez o que as big techs falharam em colocar de pé: desenvolveu uma ferramenta capaz de detectar as deepfakes. É a InspireIP. Ela usufruiu de um protocolo construído por diversas empresas de tecnologia, o C2PA, mas não implementado de fato. Por isso, aliás, a ferramenta da startup não funciona com o mesmo sucesso para imagens de ChatGPT (OpenAI), Gemini (Google) e Meta AI (Meta). Ainda assim, já chamou a atenção de grandes partidos políticos brasileiros, interessados no cenário de incerteza que será a próxima eleição no país.

Só em 2026, as grandes empresas de tecnologia planejam investir em inteligência artificial US$ 720 bilhões, o equivalente a R$ 3,564 trilhões. Por outro lado, elas fazem parte de um segmento econômico que, apenas nos três primeiros meses do ano, já demitiu mais de 100 mil pessoas. Mas esse choque de realidade não para aí. Tem gente que trabalha de graça para essas companhias: você. Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz listam os valores bilionários prometidos pelas big techs:   Amazon (US$ 200 bilhões); Microsoft (US$ 190 bilhões), Meta (US$ 145 bilhões) e Alphabet (US$ 190 bilhões). E contam como deixar de treinar de graça a IA de Meta, Google e OpenAI.

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